Junho Vermelho: tudo o que você precisa saber para doar sangue

A necessidade de sangue não escolhe rosto, hora ou lugar, acontece nas situações mais cotidianas da vida, como acidentes, cirurgias, tratamento de doenças crônicas graves e diversos outros casos clínicos. É por isso que o ato de doar sangue é fundamental e tem o poder de ajudar pessoas no exato momento em que elas mais precisam. 

A doação de sangue é ainda mais importante para auxílio em momentos de emergência, quando a demanda por transfusões de sangue aumenta drasticamente. Epidemias, conflitos armados, acidentes de trânsito e desastres naturais são alguns dos eventos que colocam em maior evidência a importância de um banco de sangue com estoques positivos.

Problemas sazonais também aumentam a necessidade de sangue, como acidentes na temporada de férias, festas de fim de ano ou o aumento das doenças respiratórias causadas pela chegada do frio. Esse último é até mesmo um dos motivos pelo qual a campanha Junho Vermelho acontece no sexto mês do ano, época que também marca o início do inverno e da escassez de doações de sangue no Brasil. O mês de conscientização, que acontece desde 2015, também aproveita o embalo do Dia Mundial do Doador de Sangue, no dia 14 de junho.

O que é sangue e como é produzido

Sem sangue não há vida, isso todo mundo já sabe. O que vez ou outra parece difícil de entender é como o sangue funciona dentro do corpo humano e de que forma ele pode ser regenerado após uma doação.

Considerado um tecido vivo, o sangue leva oxigênio e nutrientes essenciais ao corpo todo em um longo e complexo processo. Ele é composto por quatro partes, plasma, hemácias (glóbulos vermelhos), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas. Cada um desses componentes têm uma função específica e essencial para o pleno funcionamento do organismo e quando a produção deles não ocorre direito, os órgãos não funcionam da forma necessária e o corpo adoece. 

A produção sanguínea acontece na medula óssea, uma estrutura alojada dentro dos ossos de todo o organismo. Nos adultos, a maior quantidade de sangue é produzida na medula dos ossos chatos (vértebras, costelas, quadril, crânio e externo. Já nas crianças, os ossos longos, como o fêmur, também produzem boa quantidade de sangue.



Tipos de doação de sangue

Existem variados tipos de doação de sangue, mas três deles podem ser considerados os mais comuns. De um modo geral, a doação voluntária ou espontânea é a mais importante e o foco da campanha Junho Vermelho. É com ela que até quatro vidas podem ser salvas com apenas uma única doação.

A doação vinculada ou de reposição acontece quando pessoas doam sangue para um receptor pré-determinado ou com a finalidade de repor o estoque do banco de sangue em nome de um paciente específico. Já a doação por aférese acontece quando o paciente receptor necessita de apenas um componente do sangue, mais comumente de plaquetas. 

O que acontece no corpo após a doação

Uma das coisas que mais preocupa quem nunca doou sangue é o tempo de reposição do sangue e os efeitos colaterais da doação. Mas não é preciso aflição, o procedimento é seguro e planejado para não prejudicar o doador ou o receptor.

Primeiro porque a quantidade de sangue a ser retirada está relacionada ao peso do doador e ao volume de anticoagulante presente obrigatoriamente em cada bolsa de coleta. É por isso que o doador adulto precisa ter no mínimo 50kg e pode doar, no máximo, 450ml de sangue.

Além disso, a reposição do volume de sangue, do plasma, acontece já nas primeiras 24 horas e as hemácias nas 4 semanas seguintes à doação. Os outros componentes do sangue demoram um pouco mais,  8 semanas para homens e 12 semanas para mulheres, tempo que também determina o intervalo mínimo permitido entre cada doação.

Por fim, a doação de sangue não resulta em efeitos colaterais, exceto quando os cuidados básicos são ignorados. Após a coleta é preciso fazer um lanche, aumentar a ingestão de líquidos, evitar esforços físicos e a ingestão de bebidas alcoólicas por no mínimo 12 horas, além de não fumar por 2 horas. Passado esse período, as atividades normais podem ser retomadas.

Como doar sangue

As doações voluntárias acontecem em hemocentros ou bancos de sangue, o local varia conforme o município. Para saber qual a unidade de coleta de sangue mais próxima, basta acessar o site do governo estadual ou do hemocentro de cada região.

Requisitos para a doação

Para doar, é preciso apresentar documento de identificação e seguir alguns pré-requisitos, como ter entre 16 e 69 anos de idade (menores de 18 anos devem estar acompanhados), estar em boas condições de saúde e pesar mais de 50kg. Além disso, alguns cuidados devem ser seguidos antes da doação, como:

- Estar alimentado e evitar alimentos gordurosos nas 3 horas que antecedem a doação de sangue;

- Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas;

- Não ingerir bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à doação

- Não fumar pelo menos 2 horas antes da doação

- Pessoas com idade entre 60 e 69 anos só poderão doar sangue se já o tiverem feito antes dos 60 anos;

- Seguir o intervalo mínimo entre as doações, dois meses para os homens e de três meses para as mulheres.

Impedimentos para a doação de sangue

Algumas situações acarretam na impossibilidade temporária de doar sangue, com período de aguardo que varia conforme cada caso. São elas resfriados e gripes, gestação, amamentação até o primeiro ano do parto, tatuagem ou piercing, transfusão de sangue, extração dentária, vacinação e algumas doenças. 

Outros impedimentos são permanentes e excluem pessoas da lista de doadores de sangue por toda a vida. Por muito tempo a homossexualidade masculina impediu a doação de sangue e o exercício da solidariedade, restrição imposta no período da epidemia de HIV no país. Entretanto, em maio de 2020, essa regra foi considerada pelo Superior Tribunal Federal como inconstitucional e discriminatória.

Atualmente, os impedimentos permanentes para a doação de sangue incluem pessoas que tiveram hepatite após os 11 anos, malária, doença de chagas, fazem uso de drogas ilícitas ou que tenham evidência clínica ou laboratorial de doenças transmissíveis pelo sangue (Hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II. Confira mais informações sobre doação de sangue no site do Ministério da Saúde.

Fontes: Ministério da Saúde I INCA I El País I Governo RSI Saúde MT I Pró Sangue I Pró Sangue I Invivo I Veja Saúde I Abrale I Agência Brasil I Femama 



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